Esta passagem muito conhecida da autobiografia de Helen Keller, uma menina surda muda e cega que recebia informações sobre a realidade através de um contato tátil motivado pela sua professora Anne Sullivan, nos dá uma idéia do que um professor é capaz de fazer por seu aluno e quanto isso pode significar na vida deste aluno. É um depoimento belíssimo sobre as lembranças da aquisição da linguagem da pequena Helen.
Ela me trouxe o chapéu (...) e eu soube que iria sair para o sol bem quente. Foi, pensamento, se é que uma sensação sem palavras pode chamar-se um pensamento, fez que eu pulasse e saltasse de prazer. ‘Andamos pelo caminho do poço, atraídas pela fragrância das madressilvas que o cobriam’. Alguém estava tirando água e a professora coloca minha mão debaixo da bica. Quando a corrente fria jorrou sobre minha mão, ela soletrou, na outra, a palavra água, primeiro devagar, depois rapidamente. Fiquei parada, toda a minha atenção fixa no movimento de seus dedos. De repente, senti uma obscura consciência, como de algo esquecido – uma emoção de pensamento que retornava; e, de algum modo, o mistério da linguagem me foi revelado. Soube então que á - g- u – a significava algo maravilhoso e frio que escorria sobre minha mão. Aquela palavra viva despertou-me a alma, deu-lhe luz, esperança, alegria, libertou-a! Ainda existem barreiras, é verdade, mas barreiras que com o tempo poderiam ser removidas.
Deixei o poço, ansiosa por aprender. Tudo tinha um nome, e cada nome deu luz a um novo pensamento. Quando voltamos para casa, todo objeto que eu tocava parecia tremer de vida. Isto porque eu via tudo com a estranha e nova visão que me sobreviera.
Parabéns a todos os nossos professores pela dedicação e esforço.

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